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Maiores produtores de gás natural e importadores de GNL

Atualizado 19 de set. de 2026 · André Nalepa Abbud

4.196,5 bcm
Produção mundial
Energy Institute Statistical Review 2026 · em 2025
1.073,7 bcm
Maior produtor, Estados Unidos
Energy Institute Statistical Review 2026 · em 2025
428 MT
Comércio mundial de GNL
GIIGNL Annual Report 2026 · em 2025
109,1 MT
Maior exportador de GNL, Estados Unidos
GIIGNL Annual Report 2026 · em 2025
67,0 MT
Maior importador de GNL, China
GIIGNL Annual Report 2026 · em 2025
US$ 3,52/MMBtu
Média anual do Henry Hub
EIA · em 2025

Os maiores produtores de gás natural e os maiores importadores estão em lados opostos de um mercado que movimentou 4.197 bcm em 2025, um recorde. Os Estados Unidos produziram 25,6% do gás mundial (1.074 bcm), a Rússia 14,5% (609 bcm), o Irã 6,3% (265 bcm) e a China 262 bcm, segundo o Energy Institute e o Escritório Nacional de Estatística chinês. Do lado comprador, China (67 MT), Japão (66 MT) e Coreia do Sul (49 MT) foram os maiores importadores de GNL, enquanto a Europa, com 126 MT de GNL mais cerca de 150 bcm por duto, foi o mercado que mais cresceu.

O gás é o segundo maior combustível fóssil, um quarto da energia primária mundial, e o único cujo comércio internacional roda sobre dois sistemas fisicamente separados: os dutos, que amarram comprador e vendedor por décadas, e o GNL, que transforma o gás em commodity marítima mas concentra a oferta em três exportadores e num punhado de gargalos marítimos. Essa estrutura é a razão de o fechamento do estreito de Ormuz em 2026 ter reprecificado o gás em Tóquio, Roterdã e Déli em poucos dias.

Números-chave

Métrica Valor Fonte Data
Produção mundial 4.196,5 bcm Energy Institute Statistical Review 2026 2025
Consumo mundial 4.186,0 bcm Energy Institute 2025
Participação dos quatro maiores produtores ~53% Energy Institute 2025
Comércio mundial de GNL 428 MT GIIGNL 2025
Participação dos três maiores exportadores de GNL ~62% IGU World LNG Report 2026 2025
Capacidade mundial de liquefação 524 MTPA GIIGNL 2025
Capacidade mundial de regaseificação 1.247 MTPA GIIGNL 2025
Parcela do GNL negociada no spot ou curto prazo 35% GIIGNL 2025
Henry Hub à vista, média anual US$ 3,52/MMBtu EIA 2025
TTF primeiro mês €84/MWh ICE via Trading Economics 2026-09-14
GNL spot asiático, pico do JKM ~US$ 25/MMBtu GIIGNL 2026-03

Maiores produtores de gás natural: quem abastece o mercado

Posição País Produção (bcm) Participação Fonte Data
1 Estados Unidos 1.073,7 25,6% Energy Institute 2025
2 Rússia 609,4 14,5% Energy Institute 2025
3 Irã 264,8 6,3% Energy Institute 2025
4 China 262,1 6,2% Escritório Nacional de Estatística 2025
5 Canadá ~194 ~4,7% Energy Institute (edição 2025) 2024
6 Catar ~179 ~4,3% Energy Institute (edição 2025) 2024
7 Austrália ~150 ~3,6% Energy Institute (edição 2025) 2024
8 Arábia Saudita ~121 ~2,9% Energy Institute (edição 2025) 2024
9 Noruega ~113 ~2,7% Energy Institute (edição 2025) 2024

As posições 5 a 9 ainda estão na edição 2025 do Statistical Review, cujo detalhamento por país referente a 2025 não havia sido publicado até o fechamento desta página ⏳.

Produção e exportação são rankings diferentes. O Irã, terceiro produtor, exporta pouco gás (volumes por duto para Turquia e Iraque) porque as sanções bloqueiam o GNL. A Rússia, segunda produtora, perdeu a maior parte de seu mercado europeu por duto depois de 2022 e cortou a produção em 3% em 2025; o Power of Siberia alcançou sua capacidade de projeto de 38 bcm, mas não absorve os 150 bcm que a Europa costumava comprar. Os Estados Unidos são o único país que é ao mesmo tempo o maior produtor, o maior consumidor (913 bcm em 2025) e o maior exportador de GNL, sustentado por uma produção de xisto que cresceu 3,8% ao ano por uma década.

As reservas se concentram em outro lugar: Rússia, Irã e Catar detêm as três maiores reservas provadas, com Catar e Irã dividindo o North Field/South Pars, o maior campo de gás do planeta.

Importadores e consumidores de gás natural: quem compra e para quê

Estados Unidos (913 bcm, 21,8%), Rússia (480 bcm) e China (442 bcm) consumiram 44% do gás mundial em 2025. O crescimento está concentrado hoje na Europa (+4,2%), no Oriente Médio (+2,9%) e na África (+3,6%); a Ásia-Pacífico cresceu apenas 0,3%, com Índia (-5,9%) e Paquistão (-7,8%) recuando por preço. A geração térmica a gás cresceu só 0,6% no mundo, então a maior parte do avanço da demanda veio da indústria e da química, segundo o Energy Institute.

A dependência de importação é o número-chave do lado da demanda: Europa e Índia dependem de importação para cerca de metade de seu gás, e a China para mais de um terço, segundo a revisão 2026 do Energy Institute. Japão, Coreia do Sul e Taiwan importam essencialmente tudo, na forma de GNL.

A GIIGNL reporta o ranking de importação de 2025 como segue.

Importador de GNL Importações 2025 (MT) Variação sobre 2024 Principais fornecedores
China 67,0 -15% Austrália 32%, Catar ~30%, Rússia 11%
Japão 65,9 -0,5% Austrália 40%, Malásia 15%, EUA 7%
Coreia do Sul 48,7 +4% Austrália 32%, Malásia 16%, Catar 15%
Índia 25,3 -6% Catar 46%, EUA 12%, Omã 8%
Taiwan 23,5 +11% Catar 33%, Austrália 33%, EUA 11%
França 22,8 +25% EUA 48%, Rússia 27%
Países Baixos 16,9 +28% EUA 76%
Espanha 16,1 +27% EUA 45%, Rússia 17%

A Europa como um todo importou 126,3 MT, 29% mais que em 2024, enquanto a Ásia levou 271 MT, 4% menos, segundo o GIIGNL Annual Report 2026.

O comércio por duto completa a outra metade do quadro: a Noruega entregou 89 bcm à UE e a Rússia 36 bcm em 2025 (dados da Comissão Europeia), a Rússia mandou 38 bcm à China pelo Power of Siberia, o Canadá exporta cerca de 80 bcm por ano aos Estados Unidos e os EUA, por sua vez, enviam gás por duto ao México. Veja a dependência de gás da Europa para a abertura da UE.

Gargalos da cadeia do gás natural

A liquefação é concentrada. EUA (109 MT), Catar (80,5 MT) e Austrália (78,8 MT) forneceram 62% do GNL em 2025. Os 77 MTPA inteiros do Catar ficam num único complexo, Ras Laffan, atingido por mísseis iranianos em 18 de março de 2026, o que tirou 12,8 MTPA de operação pelo que a QatarEnergy estima em três a cinco anos.

Rotas marítimas. Cerca de 20% do GNL mundial (todas as cargas catarianas e emiradenses) passa pelo estreito de Ormuz, fechado desde fevereiro de 2026, e não existe contorno por duto para o GNL. As cargas que vão do Golfo e da África ao Nordeste Asiático cruzam o estreito de Malaca; as cargas Catar-Europa normalmente usam Suez e o Bab el-Mandeb, ambos expostos a ataques houthis desde 2023; as cargas americanas do Golfo para a Ásia dependem de janelas no Canal do Panamá ou da rota do Cabo.

Dutos são pontos únicos de falha. O Nord Stream (55 bcm/ano) foi destruído em setembro de 2022; o trânsito pela Ucrânia terminou em 1º de janeiro de 2025; o TurkStream é hoje a única rota russa para a UE; o Power of Siberia é a única linha russa para a China. Uma só parada norueguesa em Troll ou Kollsnes move o TTF.

Insumos de transporte e infraestrutura. Os metaneiros saem quase todos de três estaleiros coreanos e do Hudong-Zhonghua, na China; há 343 navios em carteira contra uma frota de 899. Navios com classe de gelo são a restrição que trava o Arctic LNG 2 russo. A capacidade de regaseificação (1.247 MTPA) não é o gargalo: os terminais europeus rodaram perto de 60% de utilização em 2025.

Controles de política. Autorizações de exportação americanas (a pausa de 2024 para países sem acordo de livre comércio congelou decisões finais de investimento por um ano), o Regulamento UE 2026/261 que bane o gás russo até 2027, o esquema australiano de reserva doméstica a partir de 2027 e as regras europeias de metano definem por onde o gás pode legalmente fluir.

Dinâmica de preços

Não existe um preço mundial do gás. Três referências regionais dão o tom: o Henry Hub nos EUA (média de US$ 3,52/MMBtu em 2025, numa faixa de US$ 2,65 a US$ 9,86, segundo a EIA), o TTF holandês para a Europa e o JKM para o GNL spot do Nordeste Asiático. Contratos asiáticos e catarianos de longo prazo ainda são majoritariamente indexados ao petróleo (JCC ou Brent), e é por isso que choques de petróleo chegam às contas de gás com defasagem. O spread entre Henry Hub e TTF ou JKM é o que torna a exportação americana de GNL rentável: as cargas saem dos EUA quando o preço no destino supera o Henry Hub mais liquefação e transporte, algo como US$ 3 a US$ 4/MMBtu.

Os choques são primeiro regionais e depois globais. Em 2022 os cortes russos levaram o TTF acima de €300/MWh enquanto o Henry Hub ficou abaixo de US$ 10. Em 2026 o fechamento de Ormuz levou o JKM a cerca de US$ 25/MMBtu em março, ante US$ 9 a US$ 11 antes da guerra, puxou o TTF 60% no mês e a €84/MWh em setembro, e abriu os dois contra o Henry Hub, segundo a GIIGNL. A base de 2025 havia sido o oposto: o TTF caiu cerca de 45% no ano, para perto de €28/MWh, com a oferta americana crescendo e a demanda chinesa de GNL recuando 15%. A estrutura contratual pesa tanto quanto o volume: 35% do GNL já é negociado no spot ou em curto prazo, então os sinais de preço movem cargas em semanas.

Disrupções históricas

Data Evento Impacto observado Fonte
2026-02-28 Estreito de Ormuz fechado; trens 4 e 6 de Ras Laffan atingidos em 18 de março (12,8 MTPA) ~20% da oferta mundial de GNL cortada; JKM a ~US$ 25/MMBtu; cenários da GIIGNL colocam a oferta de 2026 de 40 a 65 MT abaixo da base GIIGNL 2026; IEA
2025-01-01 Fim do trânsito de gás russo pela Ucrânia Compradores da Europa Central migram para GNL via Alemanha, Polônia e Itália; importações europeias de GNL sobem 29% em 2025 GIIGNL 2026
2024-01 EUA pausam aprovações de exportação de GNL para países sem acordo de livre comércio Nenhuma decisão final de investimento nos EUA em 2024; cinco delas (54,5 MTPA) após a reversão em 2025 GIIGNL 2026
2022-09-26 Sabotagem do Nord Stream 55 bcm/ano de capacidade perdidos em definitivo; Alemanha constrói FSRUs Comissão Europeia
2022-06-08 Explosão na Freeport LNG (Texas) 15 MTPA fora de operação por oito meses; 15% da capacidade de exportação americana Freeport LNG, EIA
2022-02 a 2022-08 Rússia corta gás por duto à Europa após invadir a Ucrânia TTF acima de €300/MWh; UE corta demanda em 15% por regulamento; GNL mundial é redirecionado à Europa Conselho da UE
2011-03 Fukushima; o Japão desliga sua frota nuclear Importações japonesas de GNL sobem a um recorde de 87 MT até 2014; prêmio spot asiático se amplia GIIGNL
2009-01 Disputa de trânsito entre Rússia e Ucrânia Duas semanas de interrupção dos fluxos ao sudeste europeu Comissão Europeia

Empresas e ativos ao longo da cadeia

Upstream. ExxonMobil, EQT e Expand Energy (xisto americano), Gazprom e Novatek (Rússia), QatarEnergy, CNPC e Sinopec (xisto de Sichuan, na China), Equinor (Noruega), Woodside e Chevron (Austrália), Petronas (Malásia).

Liquefação e portfólios de GNL. Cheniere e Venture Global (EUA), QatarEnergy com ExxonMobil, Shell, TotalEnergies e ConocoPhillips como sócias, Shell e TotalEnergies como as maiores tradings de portfólio, Woodside, Santos e INPEX na Austrália.

Compradores. JERA e Tokyo Gas (Japão), KOGAS (Coreia do Sul), CPC (Taiwan), Petronet e GAIL (Índia), CNOOC, PetroChina e ENN (China), Engie, Eni, Naturgy, SEFE e Uniper (Europa).

Midstream e transporte. Nakilat, MOL, NYK, GasLog, Flex LNG e CoolCo (metaneiros); Hanwha Ocean, Samsung Heavy e HD Hyundai (construção naval); Gassco, Snam, Fluxys e GRTgaz (dutos e terminais na Europa); Kinder Morgan, Williams e Energy Transfer (dutos americanos).

Exposição à crise de 2026. A frota da Nakilat e os compradores de longo prazo da QatarEnergy enfrentam risco de força maior; os exportadores americanos registraram volumes e margens recordes; as utilities asiáticas com alta participação catariana (Petronet, KOGAS, CPC) são as compradoras mais expostas. Apenas descritivo: a enciclopédia não publica recomendações.

O que monitorar

  • Produção e estoques: EIA Natural Gas Monthly e o relatório semanal de estocagem (EUA); GIE AGSI+ (Europa); produção mensal do Escritório Nacional de Estatística chinês.
  • Fluxos de comércio: relatórios anuais da GIIGNL e da IGU, rastreamento de cargas da Kpler ou da Vortexa e o Global Energy Security Data trimestral da EIA para volumes nos gargalos.
  • Preços e spreads: Henry Hub, TTF e JKM, e o spread TTF-JKM que decide para onde vão as cargas do Atlântico.
  • Carteira de capacidade: decisões finais de investimento e partidas (Golden Pass, Plaquemines fase 2, CP2, Rio Grande, North Field East no Catar, LNG Canada fase 2), mais o cronograma de reparo de Ras Laffan.
  • Política: prazos do Regulamento UE 2026/261, autorizações americanas de exportação, o esquema australiano de reserva e sanções à logística do GNL russo.

Perguntas frequentes

Qual país produz mais gás natural? Os Estados Unidos, com 1.073,7 bcm em 2025, 25,6% da produção mundial, segundo o Energy Institute. A Rússia é a segunda (609,4 bcm, 14,5%), o Irã o terceiro (264,8 bcm) e a China a quarta (262 bcm). Juntos, os quatro maiores produzem cerca de 53% do gás mundial.

Quais países mais importam gás natural? Em GNL, 2025: China (67,0 MT), Japão (65,9 MT), Coreia do Sul (48,7 MT), Índia (25,3 MT) e Taiwan (23,5 MT), segundo a GIIGNL. Contando o gás por duto, a UE é o maior bloco importador, com cerca de 289 bcm em 2025 (cerca de metade como GNL), e a China é o maior país importador isolado quando se somam os 38 bcm de gás russo por duto e o suprimento da Ásia Central.

Quem são os maiores exportadores de GNL? Estados Unidos (109,1 MT, 26% do comércio), Catar (80,5 MT) e Austrália (78,8 MT) em 2025, seguidos por Rússia (cerca de 31 MT entre Yamal e Sakhalin), Malásia (27,3 MT), Indonésia (15,9 MT) e Nigéria (14,2 MT). Os três maiores respondem por cerca de 62% da oferta mundial de GNL.

Qual é o preço do gás natural? Depende da região. A referência americana Henry Hub teve média de US$ 3,52/MMBtu em 2025 e negociava perto de US$ 3 em setembro de 2026; a referência europeia TTF chegou a €84/MWh (cerca de US$ 28/MMBtu) em meados de setembro de 2026, o maior nível desde 2022, por causa do fechamento de Ormuz; o GNL spot asiático (JKM) teve pico em torno de US$ 25/MMBtu em março de 2026. Contratos asiáticos de longo prazo continuam majoritariamente atrelados ao preço do petróleo.

Por que o estreito de Ormuz importa para o gás natural? Cerca de 20% do GNL mundial, todas as exportações de Catar e Emirados, passa por ali, e não existe alternativa por duto. O fechamento em 2026 retirou mais de 300 milhões de metros cúbicos por dia do mercado e, somado aos danos de míssil na planta catariana de Ras Laffan, levou o preço spot do GNL na Ásia e na Europa ao maior nível desde 2022.

Quanto do gás mundial é negociado como GNL? Entre 428 e 437 milhões de toneladas em 2025, equivalentes a cerca de 580 a 600 bcm, ou 14% do consumo mundial. O comércio por duto tem tamanho semelhante. A fatia do GNL está subindo: mais de 200 MTPA de nova capacidade de liquefação estão em construção, sobretudo nos EUA e no Catar.

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