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Gálio: 99% chinês e a diferença de preço criada pelos controles de exportação

Atualizado 21 de set. de 2026 · André Nalepa Abbud

99%
Fatia da China no gálio primário
USGS · em 2025
~320 t
Gálio refinado de alta pureza no mundo
USGS · em 2024
1º de agosto de 2023
Licenças de exportação em vigor desde
MOFCOM · em 2023-08
27 de novembro de 2026
Proibição para os EUA suspensa até
MOFCOM Anúncio 72 · em 2025-11-09
~US$ 3,1 bilhões
Perda no PIB dos EUA com um ano de corte
USGS · em 2024
-24%
Importação americana de wafers de GaAs
USGS · em 2025

O gálio tem a oferta mais concentrada entre todos os minerais críticos: a China respondeu por 99% da produção mundial de gálio primário de baixa pureza em 2025, segundo o USGS, com o pequeno restante vindo de Japão e Rússia. O gálio é recuperado como subproduto do processamento da bauxita em alumina e, em menor escala, de resíduos de zinco, então acompanha o refino de alumínio, que a China domina. A produção mundial de gálio refinado de alta pureza foi de cerca de 320 toneladas em 2024. O metal vai para chips de nitreto e arseneto de gálio usados em radares, 5G, comunicação por satélite, eletrônica de potência, LEDs e conexões ópticas em data centers.

A China exige licença para exportar gálio desde 1º de agosto de 2023 e proibiu em princípio as vendas aos Estados Unidos em dezembro de 2024. A proibição americana está suspensa até 27 de novembro de 2026, mas o licenciamento continua e o fornecimento a usuários militares estrangeiros é vetado. O efeito foi um mercado dividido: quem compra fora da China paga muito mais que quem compra dentro. Um modelo do USGS estima que um corte total de um ano nas exportações chinesas de gálio reduziria o PIB americano em cerca de US$ 3,1 bilhões. Veja controles de exportação da China sobre minerais críticos.

Números-chave

Métrica Valor Fonte Data
Fatia da China no gálio primário 99% USGS 2025
Gálio refinado de alta pureza no mundo ~320 t USGS 2024
Licenças de exportação em vigor desde 1º de agosto de 2023 MOFCOM 2023-08
Proibição para os EUA suspensa até 27 de novembro de 2026 MOFCOM Anúncio 72 2025-11-09
Perda no PIB dos EUA com um ano de corte ~US$ 3,1 bilhões USGS 2024
Perda no PIB dos EUA se o germânio também for cortado ~US$ 3,4 bilhões USGS 2024
Importação americana de wafers de GaAs -24% USGS 2025

Oferta: quem produz gálio

A China produz quase todo o gálio primário em suas refinarias de alumina. Japão e Rússia produzem pouco. Alemanha, Hungria e Cazaquistão pararam a produção primária em 2016, 2015 e 2013, e a Ucrânia provavelmente parou em 2022, segundo o USGS. Há novos projetos anunciados na Austrália, no Canadá, na Grécia, no Cazaquistão e na Coreia do Sul, a maioria para recuperar gálio de operações de alumina ou zinco já existentes. A reciclagem de sobras da produção de wafers acrescenta oferta secundária.

Demanda: quem usa gálio

Os semicondutores são o uso principal. O arseneto de gálio vai para chips de radiofrequência de celulares e radares e para dispositivos ópticos; o nitreto de gálio, para eletrônica de potência, carregadores rápidos, estações de 5G e radares militares. Os Estados Unidos importam todo o gálio primário que usam e boa parte já em forma de wafers, e suas importações de wafers de arseneto de gálio caíram cerca de 24% em 2025, segundo o USGS. A defesa é um usuário pequeno, mas crítico: os radares de varredura eletrônica ativa dependem do nitreto de gálio.

Gargalos da cadeia do gálio

Economia de subproduto. O gálio não pode ser minerado sozinho; a oferta depende da produção de alumina e de as refinarias decidirem instalar circuitos de recuperação.

Licenças chinesas. Licenças desde 2023, proibição para os EUA suspensa até novembro de 2026 e veto permanente a usuários militares.

Refino para alta pureza. O gálio grau semicondutor exige refino adicional, feito sobretudo na China, no Japão e em poucos outros países.

Dinâmica de preços

Os controles de exportação dividiram o mercado em dois preços. Dados da Fastmarkets citados por analistas do setor mostraram o gálio em Roterdã passando de cerca de US$ 250 a US$ 265 o quilo antes dos controles de 2023 para US$ 500 a US$ 600 em dezembro de 2023. Relatos de 2026 colocam os preços internacionais em várias vezes o nível doméstico chinês, mas os números publicados variam muito conforme a fonte e a data e devem ser conferidos com uma referência como a Fastmarkets antes de uso ⏳. É a diferença em si, não um número isolado, que mede o aperto das licenças.

Disrupções históricas

Data Evento Impacto observado Fonte
2025-11-09 China suspende a proibição de gálio para os EUA até 27 de novembro de 2026 Exportações voltam ao licenciamento; veto a uso militar mantido MOFCOM
2024-12-03 China proíbe em princípio a exportação de gálio para os EUA Compradores teriam passado a comprar via intermediários MOFCOM; USGS
2023-08-01 Licenças de exportação entram em vigor Preço em Roterdã quase dobra até dezembro de 2023 USITC; Fastmarkets
2022 Ucrânia provavelmente para a produção primária de gálio Perde-se uma das poucas fontes fora da China USGS

Empresas e ativos ao longo da cadeia

China. Chalco e outras refinarias de alumina com circuitos de recuperação de gálio.

Fora da China. Dowa (Japão), Rio Tinto (projeto de recuperação de gálio em Quebec), Nyrstar (Austrália), Metlen (Grécia) e produtores cazaques retomando capacidade.

Usuários. Wolfspeed, Qorvo, Skyworks, Infineon e fabricantes de defesa que produzem sistemas de radar e comunicação. Apenas descritivo: a enciclopédia não publica recomendações.

O que monitorar

  • 27 de novembro de 2026, quando vence a suspensão da proibição para os EUA.
  • Licenças de exportação chinesas e dados alfandegários por destino.
  • Partida dos novos projetos de recuperação de gálio fora da China.
  • Preços de referência internacionais e chineses e a diferença entre eles.

Perguntas frequentes

Qual país produz mais gálio? A China, com 99% da produção de gálio primário de baixa pureza em 2025, segundo o USGS. Japão e Rússia produzem o restante.

Por que a China controla o gálio? Porque o gálio é subproduto do refino de alumina, e a China opera a maior parte da capacidade mundial de alumina, com circuitos de recuperação instalados. Outros países pararam de produzir porque o gálio chinês era mais barato.

A China proibiu a exportação de gálio? A China exige licença de exportação desde agosto de 2023 e proibiu as vendas aos Estados Unidos em dezembro de 2024. A proibição americana está suspensa até 27 de novembro de 2026, mas as licenças continuam obrigatórias e a venda a usuários militares é vetada.

Para que serve o gálio? Principalmente semicondutores: chips de arseneto e nitreto de gálio para celulares, 5G, radares, satélites, eletrônica de potência, LEDs e óptica de data centers.

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